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Delasvieve Daspet
Linda mata observo
Da janela de minha casa.
Um parque. Uma reserva.
Parque das Nações Indígenas.
Cerrado em plena cidade
Onde está ostentado
A pompa verde e variada
De nossas matas
Que se erguem para os céus.
São longos braços estendidos
Alguns retorcidos,
Madeira de cerrado,
Abertos para cima
Em busca da seiva da vida,
Do sol!
E a terra úmida
Fecunda-lhes as raízes,
Dando-lhes majestosa beleza!
Perco-me olhando
Os sábias cantando;
As cutias - até jaguatiricas,
Veados, Sucurís, Capivaras,
Que transitam nas noites claras
Do lindo colchão de prata
Que a bela lua faz na escuridão!
Meu olhar de poeta
Se enamora e embriaga,
Fita embevecida os beijos apaixonados
Roubados no lusco-fusco da Via Parque!
E a sinfonia do vento?
Vento sul das noites calmas
Que engalana minh'alma
Com os barulhos noturnos
Deste sertão - tão dentro
Do coração da cidade!
Ah! minha terra amada!
Não sei cantar-te d'outra forma...
A não ser te descrevendo e te mostrando
A quem ainda não sorveu do calor de teus braços
Abertos a quem aqui aportar.
E a vida?
A vida aqui murmura no vai e vem laborioso
Dos povos - brasileiros ou não -
Que te fazem bela e pujante
Ó Campo Grande Morena!
Vou agora sonhar em melodias,
Me embalar nas suaves guaranias,
Polcas, chamamés, rasqueados,
Um xote rasgado,
Ah! os bailes...
Rodopiar nos braços da noite,
Lembrando o Surian, Libanês, o Rádio.
Queimando uma carne,
Assando uma chipa,
Abusando da sopa paraguaia,
Rodadas de mates e tererés na Afonso Pena,
Tocando um berrante,
Dedilhando a viola,
Tudo é Prosa e Segredo.
Y a la Virgencita de Caacupé
Ajumita apurajhei!
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delasnieve daspet
13 de agosto de 2001 - 11,00 hs
Campo Grande MS
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