A poça d'água
Delasnieve Daspet


Uma poça d'água
No meu caminho,
Nele - refletido
Um ser estranho!
Tremula e desfocada
Vejo uma imagem!

A imagem desfocada e balançante
me olha,
pensativa me observa,
e eu me vejo nela!

Na poça d'água que me fita,
Vejo passar bois e boiadas,
Trânsito livre da minha vida,
Um filme!

Sento-me ao meu lado...
Sim! - ao meu lado!
A poça d'água sou eu sim!
Eu me falo,
Me canto,
Me encanto,
Desencanto,
Me encho de saudades,
Bondade maior,
Me absolvo!

O vento me beija a face,
Faz tremular a outra,
Como rugas que se formam
a mostrar-me a vida vivida!

Continuamos assim,
Fitando-nos,
Olhos nos olhos
Nunca me houvera fitado assim!

Vi todas as minhas carências,
Ausências,
Doenças,
E enquanto as olhava,
Já não eram mais nada,
Apenas rosas!

Rosas que eu plantara
E que cresceriam,
Iriam florir,
Pois a vida é assim!

Naquela poça d'água que se fez relva,
Travesseiro,
Minha cama,
Refletindo meus pensamentos,
Uma fotografia desfocada,
Sem dó,
Sem trégua,
Olhava para mim.

E vi
Meu passado,
Meu presente,
Eu nada,
Eu tudo,
Eu futuro,
Meu retrato,
Era eu - sim!
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delasnieve daspet
13,10 hs de 25 janeiro de 2.001
Campo Grande MS.


música: Enya - Books of Days
 
 
 
 


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