As Palavras Doem



Delasnieve Daspet
 



Tarde de inverno.
Mas parecem tardes outonais.
É amarelo o tapete que cobre o chão.
Folhas mortas.
Adubando e dando vida.
É a morte trazendo a vida.

Venta forte.
Vento de agosto.
Noite e dia a mesma sinfonia,
Do vento batendo no rosto,
Desalinhando a vida...

Viajo nessa corrente
Buscando o amanhecer
Que parece correr junto ao vento,
Eis que nunca chegamos juntos.

Até as noites de luar
Estão tão diferentes!
Agora vejo um luar gelado,
Quase opaco,
No céu cinza azulado,
Já nem se parece com a mesma lua
Que abraça a minha noite escura!

Muda o tempo.
Muda a vida.
Troveja agora.
Um corisco desliza pelo céu...
Corro à janela e ainda
Ouço os passos da página virada
E vejo ao longe
Uma silhueta se perder na estrada!


As palavras doem!
E fica no peito
O baque surdo e seco
Da triste saudade!
E na noite alta,
Repleta de trevas,
Me curvo ante o adeus!







Delasnieve Daspet
15-08-2001
Campo Grande MS


 

 

 

 
 
 
 
volta|poesias|cartas|duetos|homenagens|busca interna|livro de visitas|e-mail|home
 
 


Para receber nosso
Boletim de Atualizações
cadastre
AQUI o seu e-mail


Envie esta página
para alguém especial

 

 
 

música: Yolanda - Chico Buarque