Sombras
Delasnieve Daspet
Qual sensuais bailarinas
Dançavam nas janelas dos prédios.
Qual samambaias pequeninas
Balançavam ao sopro do vento .
Como bonecas de pano
Se esborrachavam de encontro ao solo.
Corpos caindo e
Como folhas serpentavam pelas calçadas!
O fogo subindo.
Labaredas, cinzas,
Tomando conta do mundo.
Tanto desespero.
Tanta dor nos gestos.
Não crendo no que se estava vendo!
Nas labaredas que se
Erguiam gigantes,
Queimavam nossas verdades!
Não seria tudo mentira?
Ilusão dos sentidos?!
A bailarina, a samambaia,
A folha que serpenteia,
A boneca de pano,
Os corpos caindo,
A cinza, o fogo,
O cheiro da carne queimando,
Tornando plúmbeo o mundo!
Gritos!
Gritos vindos de gargantas desconhecidas!
O clamor das coisas que
Não querem morrer!
Foram vozes caladas,
Pela intolerância do homem,
Na rua torta,
Cheia de escombros,
Hoje, sem torres!
É sempre assim,
Na história do mundo,
Onde o homem estiver
Acharemos sempre o
Ódio, a mágoa, a dor!
Sempre me iludo!
Vou me enganado,
Ainda espero que tudo termine em amor.
E agora?!
Não poderei mais cantar a folha,
A árvore; o céu de anil, as sombras?!
Tenho de calar a minha voz?!
Não poderia calar!
Dividirei minha angústia
Em memória daquelas vozes
Brutalmente caladas,
Daquelas almas que voaram
Como folhas pelo espaço.
De pessoas - tantas -
As quais vimos dançando
Como sombras - nada mais!
Na rua sem torre,
Um clamor de vozes,
Gritos de dor,
Vozes caladas,
Vidas que desapareceram
Somem na fumaça,
Doem em mim!
Junto com os prédios,
A humanidade balança.
Não posso olvidar
Que aos olhos do homem
Somos espectros de vidas,
Sem qualquer valor.
Ceifadas pelo desamor,
Pela intolerância do
Ódio que destrói -
Sombras que caminham
Que serpenteiam.
Samambaias.
Bailarinas....
Folhas secas,
Nada mais!
*********************
Delasnieve Daspet
20-09-2001 -
São Paulo SP.
|
Para receber nosso
Boletim de Atualizações
cadastre
AQUI o seu e-mail |
|
|
música: Garden