Mistérios.
Delasnieve Daspet
Sou um mistério.
A mim e aos outros.
Ora, bela flor, entreaberta à vida,
Ora, pétala caída,
Desfolhada, do vento, o sabor.
Não é que eu não queira
Ser entendida, compreendida,
Mas, gosto de revelar-me, pouco a pouco.
Gosto de descobrir-me com sabedoria,
Com perseverança, reconhecendo
Os limites a mim impostos.
Imposição... Obrigações, débitos, créditos,
Nunca mais, sempre menos...
São valores que motivam. Penso, revejo
Meus planos e lanço vôos cegos
Dos altiplanos dos problemas.
Antevendo novas trilhas,
Sem tréguas, regras, réguas: rumo, sigo o rumo
Dos desafios e dos véus que
Vou removendo, crua face revelando.
Em busca da fruta doce,
Clara, da perfeição, que enriquece
Minhas ansiedades e me enche
Da mais profunda e perfeita solidão.
E nos meus mistérios, que são tantos,
Açambarco a morte de todos os dias,
O renascer de cada instante,
Da alegria, da tristeza,
Do bem e do mal,
Forças que me impulsionam
No mistério da fraqueza que consome!
Tantas são as questões...
Tantas as perguntas...
Eu, sou eu, ou, sou várias?!
A mim, permaneço uma incógnita,
XY - uma equação que não se acaba!
O meu duvidar é sincero,
Procuro, séria, o caminho,
Na parcela que me foi dada,
Nos dons que recebi,
Do tudo que sei e do que não sei,
Do que tenho e do que não terei.
Resta-me, na somatória dos momentos
A alegria de saber buscar na fé.
Acredito, creio, sei,
No mistério que me revelo e desvendo,
Nua, crua, fria, inerte, ninguém...
Um casulo, borboleta, serei?!
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Delasnieve Daspet
Campo Grande-MS
às 20 hs de 29-05-05
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