Fuligem de Chaminé
Delasnieve Daspet


Sinto-a no meu olhar cansado,
Na batida cardíaca que falha,
Na sombra que tolda o olhar,
Na dor que cala o sorriso,
Na tristeza que ofusca o luar.


A presença da morte
É a presença do adeus
Que se me anuncia...
Presinto na mão que formiga,
Na força que oprime,
Na mentira que machuca e maltrata.

A chama se apaga ...
É a alma que volta ao nada,
Ao Nada que é o Tudo,
Na vida sem morte,
Na eterna-vida!

Sinto que caminho de encontro
Às minhas saudades,
Retorno já, paradixo, à felicidade...

Devolvo minha matéria
A Terra-Mãe que me concedeu,
E livre, entrego meu espirito
a Existência que me deu!

Não, não pranteio!
Não quero que pranteies.
Não quro que lastimes o meu momento,
Nunca fui minha dona,
Nunca fui nada,
Apenas um hiato...

E, eu, eu que nunca fui nada,
Entrego o sopro, a luz,
Sigo ao infinito,
Fuligem de chaminé,
Sinto a presença da Morte -
Pó que sou!
*
27.12.04 - 15,00 hs
Campo Grande MS

 

música: Lirios

 

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