Risco no Ar.
Delasnieve Daspet.



O tempo é efêmero.
Cruzo com a eternidade a todo instante.
Uma vida deveria bastar, entretanto,
cá estamos a todo momento
para ajudar a quem amamos.

Por que chorar a falta?
Por que se torturar pelo que nunca veio?
Não vou me envolver de novo
nas coisas que nunca fui.

No vazio do quarto
compenso ausências.
A terra se abre, árida,
à minha seca solidão!

Sou quase invisível
nas formas que me condensam.
Silêncios agudos riscam a alma
deixando marcas na superfície.

Neste caminho
sou farta de faltas,
sou densa,
- volátil - risco no ar -,
do entardecer.
___________________
Delasnieve Daspet
1o-09-02
Campo Grande MS


   
 
 

música: dança da solidão


 

 

 


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