Morre o poeta.
(Delasnieve Daspet)
Cerrem as cortinas.
Abaixem a tampa do piano.
Recolham o bandolim.
Coloquem a bandeira a meio pau.
Que ninguém fale.
Caluda.
O poeta morreu.
Nada mais triste que um poeta morto.
Pois morre a palavra.
A canção.
O desejo.
O sonho.
O amor.
Quem os cantará?
Quem olhará a brisa que de leve balança
os cabelos da noite?
Quem verá o triste sorriso do menino
faminto que cruza a rua dia após dia..
procurando um porvir?
Quem lembrará os velhinhos....
cujas lágrimas correm ...talvez com
saudades de uma juventude
fugaz e quiçá feliz ?
Quem declamará os poemas ao
ser amado....ao amado amante..
que nem ousamos pensar ?
Quem chorará com pungência o
dia a dia do feijão com arroz?
Quem há de?!!
No silêncio da palavra,
na balbúrdia do som da noite,
um sino que ao longe dobra...
E o cantar da araponga que
homenageia a nossa viuvez....
Mas estrelas não morrem!
Seu brilho é infindo!
Ah! poeta!
Levanta!
Vem poeta,
falar a nossa fala...
vem cantar nossas desditas..
Em tua pena...
a nossa pena!...
Em teus versos...a
nossa vida!
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Delasnieve Daspet - ( luna !!® ) Maio.2000
Campo Grande MS.
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