DELASNIEVE DASPET E O MUNDO DOS
POETAS
João Justiniano da Fonseca
Há pessoas que seguindo caminhos diferentes se
destacam e evoluem no correr do tempo por
razões várias em espaços diversos. Há as que
percorrem as mesmas trilhas em igual espaço,
por razões idênticas. Chegam ao mesmo destino
na trajetória terrena. Ao cabo, dizem uns -
dei conta do recado, cumpri a missão - falam
outros. Fecham o círculo da vida.
Os poetas e os deuses cursam a senda
espiritual. E, mansamente, de braços dados,
pisam passo a passo os longínquos chãos do
sonho e da esperança. Por vezes, tomam asas e
voam milhas à busca do destino. Não cansam,
não gemem, não recuam. O destino de ser deus
ou ser poeta traz o elo especial do
incomensurável, que prende ao infinito azul.
Os poetas e as deusas, os deuses e as poetas
são o extrato do belo iluminado, do ouro
pingando cristal, do cristal derramado em
faíscas multicoloridas para enfeitar um pouco
mais o belo da poesia. E esse todo que
avistamos no éter azul sem limite, vale como
pão que alimenta os deuses e os poetas, é o
seu tudo e o seu todo, sua poesia - seu
próprio ser. Materialmente simples criatura
terrena, espiritualmente reproduzindo ninfas,
para criar o eterno, poeta memorializa a
eternidade e aí se transfigura. Poeta e deus,
deus e poeta, luz e beleza.
Estas lembranças de navegante interplanetário,
confundindo entre si o material e o
espiritual, que em termos de poética são
irmãos siameses, vêm acerca de Delasnieve
Daspet, a poeta maior da contemporaneidade
brasileira na sua força de expressão, em sua
capacidade de ser e sua condição pessoal de
realizar.
Admirável, impressionante como criatura
humana, diviniza-se para o milagre do
trabalho. Embaixadora de Poetas Del Mundo no
Brasil e Embaixadora da Paz, de tanto produzir
e comunicar deixa a impressão de que mora à
frente do computador, aí come e bebe, dorme e
acorda produzindo belos poemas, criando
textos, divulgando pessoas, oferecendo
informações. Carrega-o debaixo do braço,
trabalha a bordo do avião que navega pelo
Brasil e pelo exterior, de pouso em pouso
pregando paz e poesia, viver humanizado entre
seres que desumanamente se hostilizam por
hostilizar-se – alguma coisa assim como se
praticassem o esporte do mata e morre.
Vem, a pouco, a poeta maior, de lançar na
Cidade Luz o seu caçula – DE LIBERTÉ EN
LIBERTÉ, bilíngüe em português e francês. Como
em regra no seu rico trabalho intelectual,
canta, neste livro, as belezas da vida e da
natureza, fala de amor e florestas, ela que é
em parte amazônica dos pantanais de Mato
Grosso do Sul, em parte universal. Junta o
amor à pessoa humana e o amor à flora, para
pregar, no canto, a paz entre os homens, como
indivíduos, como povos.
A paz, senhores, a paz! Parece que as
tradições já marcam como destino humano a
guerra entre os povos? Desde que se conta a
história humana a guerra está viva. Nunca
parou de existir, nem um dia fechou o maldito
bocão dos canhões e das metralhadoras. Agora
são mísseis de longa distância. Os líderes que
comandam nosso destino são insensíveis à dor
do semelhante? Eles não vão pessoalmente ao
campo de batalha, mandam à distância, não
imaginam, sequer, a dor de que são causa. Quem
nos dirá que no amanhã, quando chegar a era da
comunicação interplanetária, os planetas entre
si conhecidos, entre si não guerreiem numa
luta de fim de vida, caminhando para a
escuridão total? E por quê? Porque o destino
das pessoas marca o signo da guerra? Porque a
cultura universal milenar criou o destino da
estupidez? Maldita seja a guerra entre os
homens, irmã Delasnieve Daspet. Eu a acompanho
na leitura e no sentimento, no amor à paz.
Falta-me a força de espírito que te move, a
capacidade e o preparo intelectual para gritar
contigo ao mundo inteiro. Certo, certo, certo
é que no meu ler constante, no meu velho
observar, chego à feliz conclusão de que no
mundo inteiro o sentimento maior e a vontade
predominante estão contigo pela paz entre os
homens e entre os povos. Falta, para que isso
se efetive, um toque, um quê de superior à
mente humana. Um dia a corneta do destino
tocará dos infinitos azuis o canto de paz
universal e os homens entre si, feitos em
poetas e deuses de braços dados andarão em
terra, voarão no espaço contigo. Deus a salve,
querida amiga, na tua pregação missioneira de
amor.