O
humano é a soma de suas
contradições.
Cultivamos o sofrimento
Desde a Grécia antiga.
É uma síndrome.
Porque ter de penar para
ser feliz?
Quem nos confirma que o
premio para tanto sofrer
É de fato a eternidade?!
Esta máxima não deve ser
incorporada.
Não devemos ter medo da
felicidade.
Não tenho medo de ser
feliz.
Gosto de pensar que minha
luta tem sentido.
Que me harmonizo comigo.
Que tenho equilíbrio e
paz!
A felicidade não se
encontra em supermercado.
Não se vende por metro.
Mas é um bem atingível e
ponderável!
Melhor perder pelo dito
Do que pelo não dito.
Viver com brilho intenso,
Mesmo que pouco!
Pensando nisso, resolvo -
pois,
Abandonar o vazio que me
cobre a alma,
Já que sou eu em duas
Ou duas em mim!
Uma face oculta que me
subverte!
Outra que me entrega.
Uma que sofre, outra que
ri!
Uma que dá, outra que
toma!
Uma que sopra, outra que
apaga!
Vou já verificar-me
Na dualidade que me
domina,
Não vou durar uma
eternidade buscando-me!
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delasnieve daspet
06,26 hs - 25-12-2001
Campo Grande MS
PARA DELASNIEVE DASPET
(Republicação)
Oi, Delasnieve.
"Porque ter de penar
para ser feliz?
Quem nos confirma que o
prêmio para tanto sofrer
É de fato a eternidade?!
Esta máxima não deve ser
incorporada.
Não devemos ter medo da
felicidade."
Este
seu poema - "Sofrer?!" -
retrata uma preocupação
minha. Preocupação
principalmente em relação
a nós, poetas. Manifesto
isso num texto meu que
tomo a liberdade de
repetir aqui, vista a
oportunidade que seu tema
oferece:
"O POETA CANTA - O
sofrimento gera
inspiração. Porque
acreditamos nisso, nós, os
poetas, corremos o perigo
de mergulhar no sofrimento
e a ele nos agarrarmos
para que a fonte não
seque. É bem a história do
Assum Preto, a quem furam
os olhos para que cante
melhor. E isso não passa
de crendice e sadismo. O
pássaro, tanto quanto o
poeta, canta bem tanto na
dor como na alegria.
Nascemos poetas e poetar é
nossa glória. Mas tomemos
o cuidado de não nos
viciarmos na dor como
alimento da inspiração.
Nossos momentos de
felicidade também merecem
ser cantados."
Tenho lido frases
poéticas ou frases
piedosas como: "o poeta é
mais poeta em meio ao
sofrimento", "o sofrimento
é um privilégio de
deus"...
Temo que
incorporemos afirmações
desse tipo como verdade
acabada e cheguemos a
desejar ou a cultivar
(masoquistamente) o
sofrimento natural e
ocasional para alimentar
uma vaidade, também
natural mas que devemos
controlar, ou para ganhar
um céu na eternidade...
Acho que a busca da
felicidade não é apenas um
direito nosso, mas também
um dever. Diria até que
DEVER PRIMEIRO. A alegria
e a dor são condições
humanas. Ninguém tem o
"privilégio" de ter
nascido apenas para uma
dessas condições...
É bem verdade que a
dor nos inspira mais, isso
acontece muito comigo. Na
alegria, queremos mesmo é
curtir, nem sempre nos
lembramos de responder à
inspiração e dividi-la com
o mundo. Já a dor nos
impele a isso, pois nos dá
a sensação de que,
transmitindo nossa dor,
ela diminui em nós. É uma
pena! Penso em quantas
páginas luminosas
poderíamos dar ao mundo
cantando nossas alegrias,
desde as pequenas até
aquelas que nos fazem
explodir!
Gostei muito se seu
poema. Parabéns. Quem sabe
ele provoque uma discussão
entre nós e resulte numa
tomada de consciência.
Beijo.
Sal.
25/12/2001