Páginas que
não se apagam.
(Delasnieve Daspet)
Há coisas que não se apagam.
Petrifiquei-me ante o imaginado.
Todas as minhas esperanças pareciam vãs.
Faltou-me a coragem para recuar!
Tinha de seguir.
Passarinha no alçapão.
Tinha de saber.
Tinha de calar minha ansiedade.
Parar o tremor que me consome.
Estancar o pânico!
Quase fugi.
Mas a emoção, a curiosidade
Me fez ficar.
Precisava encarar a situação!
Senti-me viva!
O coração ainda batia
Em meu recôndito,
Insensível a toda angústia!
Com passos incertos
Segui até a laranjeira,
Nem percebi a chuva.
O sol no horizonte,
Em meio a densas nuvens,
Se entregava à mata!
Na rua as luzes,
- como pálidas luas -
Convidavam a descansar!
Na silhueta formada
Pela luz difusa,
E pela luz da rua
Revi - calada,
Somando os dias,
As primaveras,
Que felicidade - eu já tivera!
E das lembranças
Renasci sem ter morrido,
Vesti minha máscara,
Sorri de mim mesma,
Lembrei-me que há na vida
Páginas que não se apagam!
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delasnieve daspet
11-09-2001
Campo Grande MS
Tinteiros
de gente rica
Laura B. Martins
Há coisas que não se apagam,
mesmo escritas com caneta
esferográfica, barata,
e circulam no planeta.
Outras, de escrita mais rica,
(tinteiros de porcelana),
somem-se e nada fica.
(Só bases de filigrana).
Mas recordações pendentes,
escondidas, soterradas,
calam no subconsciente,
lembram vivências passadas.
Essas não se apagam, não!
São a constante ameaça,
ou fontes de inspiração,
à nossa vida, que passa.
25/11/2002
Laura B. Martins
laurabmartins@netvisao.pt
Soc. Port. Autores n.º 20958
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