Hoje, Não...

 

 Delasnieve Daspet

 

Hoje, especialmente, hoje,
não vou te olhar.
Não quero te ver ou sentir,
nem te saber.

Hoje,
vou fingir que não te vejo,
que não sei quem és,
nem o que queres.

Hoje, não!
A tristeza n´alma,
a carência me abraça,
estou pobre de sentimentos,
nada tenho para dar.

Hoje,
eu apenas quero dormir,
para não ver ou sentir
nem mesmo a minha dor.

Hoje, não....
Não vou sorrir nem te olhar,
viro as costas e sigo,
fecho as janelas para que percebas
que nada quero contigo.

Hoje, não!
Sabes que finjo,
sabes que é tudo mentira,
só não sabes os meus porquês...

Aliás, nem mesmo eu sei direito
não vou e nem quero definir
as sem-razões que invadem meu peito..
Hoje, não!

Hoje,
não me remeterás as lembrançãs
que não quero recordar,
não ficarei dolodrida,
desencantada...
Impotente, grito, covardemente:
hoje, não!


 

Impossível Ignorar as tuas lágrimas

 

 

Impossível ignorar as tuas lágrimas,

límpidas como gotícolas de orvalho numa resplandecente manhã de Outono.

Repletas de sentimentos multi-coloridos,

mas tristes,

tal qual folhas caídas na calçada,

lamentando-se ao serem pisadas pelos teus passos incertos e inseguros.

Vida triste e austera que não ouve os lamentos,

nem sente o sofrimento.

Impossível ignorar as tuas lágrimas ! ...

Mas que posso eu fazer?

Confundiste-me;

Enganaste-me;

baralhas-te a realidade com a ficção,

e eu acreditei.

Sim ...

É possível ignorar as tuas lágrimas.

Acabou-se,

o sonho desvaneceu-se e nem sequer ainda tinha desabrochado.

Adeus e não chores,

já não sinto as tuas lágrimas,

e por favor,

não vejas as minhas rolarem pelo meu rosto,

porque eu,

eu ainda sei chorar.

 

Júlia Sousa




Delasnieve Daspet
02-02-04
Campo Grande MS




 

 

música: Violão Magnífico

 

 
 
 
 

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