Como um Raio de Sol ao Entardecer...


Delasnieve Daspet



Quero um dia poder partir
tal como cheguei
como um raio de sol ao entardecer!

Quero ir-me como a gota de chuva
que orvalha a planta e
some nos lábios do sol!

Quero esvair-me como a água
da chuva que
tamborila no telhado
e morre no riacho.

Quero lembrar que vivi,
senti, amei, sorri,
aspirei a rosa,
que vi sorrir uma criança!

Quero, enfim, saber
que vi refletido nos
olhos da malquerencia
um raio de luz!

Quero lembrar
que no lodo vi florir
muitas coisas bonitas, e que vi
surgir todos os dias um novo dia.

Quero guardar bem no âmago
desta floresta que me cerca
o canto dos pássaros,
o cheiro da terra molhada,
e o perfume das flores....

Quero poder
mostrar à todos -
o amor da flor e da abelha
- o pólen da eternidade!
A vida!
Vivida!
_________________
Delasnieve Daspet
0.2:21 hs
madrugada de 23/12/2.000
Campo Grande MS

_____________________


Sol Velhinho


Fernando dos Santos


Como podes me deixar
Se sou o teu arrebol,
Madrugada a despertar
Quando sorris ao teu sol?
Sem teu orvalho ao luar
Sem a frescura da água
Meus lábios iam ficar
Chorando de dor e mágoa

Farei de ti o meu lago
Minha vida, meu espelho
Sou poderoso, mas velho
Preciso do teu afago
Terás rosas e carinho
Voltarás a ser criança
E dona do sol velhinho
Um lindo raio de esperança
Dou-te a lua e as estrelas
Lindas tardes de sol-posto
Pintarei mil aquarelas
Para que vivas com gosto
.
Farei de ti a rainha
Da noite e das madrugadas
Da cor morena, que é minha
E das rosas perfumadas

Dou-te a vida que fervilha
Nos campos e florestas
Um palácio numa ilha
E um mundo sem arestas
Também te dou as colméias
Com o mel de rosmaninho
A eternidade a meias
Se cuidares, do sol velhinho!!

Portugal, 22H35
13/3/2003

 

_____________________

 

Fio da Esperança

Roberto Cury

 

 

Quando pela manhã

O sol se avizinha do horizonte

Lançando fogo na terra

Até então escura qual breu

O dia se sente pulsante

De indescritível energia,

E como jugular estentórea

Açula o ânimo dos pássaros

E das gentes que já caminham
Na direção do trabalho...

 

Quando o sol se põe pela tarde

Já há um dia inteiro de aventuras

Para se contar:

Conta o menino as traquinices,

Conta a mãe, as peripécias

Do bebê que já engatinha,
Conta o pai vindo do trabalho,

Conta o economista, do mercado

Conta o sambista que ensaia
Os passos no samba-enredo.

Conta a mocinha seus romances
Inda que apenas nos olhares.

Conta o avô as lembranças

Dos tempos de antigamente,

Conta o jovem os últimos

sites e jogos da internet

Conta o doente desenganado

Sobre o fio da esperança

Com o novo medicamento

Que o médico, todo esfusiante,

Disse que fora descoberto...

Se olharmos, com olhos de ver,

Se ouvirmos, com ouvidos de ouvir,

Sentiremos que a esperança

Jamais haverá de morrer,

Porque a vida é bela

Mesmo diante da morte dos corpos...

Com a brisa que passa,

Com opipilar dos passarinhos,

Com o sol rompendo as trevas,

Com a chuva molhando a terra seca,

Com a vida estrugindo

Em cada semente que rompe a casca

Com o olhar cadente dos pequeninos

Com a doçura dos lábios

Do ente amado,

Com a candura

Dos olhos enamorados,

Com a vontade de viver

De cada ser que nos circunda,

Descobriremos

Que a vida tem mais que

Um fio de esperança,
Tem o sonho do futuro risonho

Que só a esperança traz!

 

Roberto Cury

Goiânia/Go - 07/-2/2004 21h37

 

 

 

 

música:  Vai Levando - Chico Buarque

 
 

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