Silêncio que fala....

(Delasnieve Daspet)



O silêncio fala.
Quantas coisas falam no silêncio!
E não é amena a sua fala!
O silêncio mostra
desinteresse....esquecimento..
rejeição....falta de amor!...
O silêncio é o prenúncio do fim...
Mostra planos em construção,
planos não compartilhados!
Mostra o desespero de quem quer ouvir...
Mas a fala é o silêncio....
Que sem qualquer recado....
Sem qualquer voz....
Com o telefone mudo....
Com a carta que não vem....
Nos passa a sua mensagem:
Não quero mais!!!

******************
Delasnieve Daspet ( luna!!® ) às 18,30 hs
Campo Grande MS, 19 de setembro de 2000
(Inspirado numa crônica de Marta Medeiros)

 

Silêncio que fala
Viaje comigo, por favor...
Usa como teu passaporte a mente
E como teu transporte a imaginação....
Voe comigo, por favor
Por sobre o mundo e
Por sob o mundo....
Observa as imensuráveis montanhas...
Quantas palavras pronunciam?
Nenhuma, a não ser o assobio do vento
Que por elas resvala....
Entretanto, apesar de som algum proferir,
Elas falam!
Elas te dizem: "Onde estavas tu quando fomos formadas?"
Voe comigo mais uma vez, por favor...
Veja o campo...
Veja os lírios nele...
Até parece neve!
Mas não pronunciam som algum,
A não ser o quase inaudível zumbido das abelhas
Que sobre eles voam....
Mas, preste atenção novamente...
Eles falam!
O que dizem? "Onde estavas tu quando fomos aqui plantados?"
Voe comigo, por favor,
Por sob a terra agora...
O que vês?
Nada?
Preste atenção.....
Há um sol aqui...
Um sol, que também está em silêncio,
Mas mantêm as coisas lá em cima
No seu devido lugar...
Escuta!
Ele fala!
O quê? "Onde estavas tu quando fui projetado e formado?"
Voe só mais esta vez comigo, por favor...
Voe alto agora...
Veja a Terra por inteiro...
Mas quando estiver subindo,
Não deixe de notar
O céu ao pôr-do-sol
Dizendo em silêncio:
"Onde estava tu quando fui pintado?"
Não deixe de reparar também nas nuvens, que,
Sem boca,
Dizem: "Onde estavas tu quando evaporamos pela primeira vez?"
Nem de notar à sua frente as estrelas
E o Sol, tal qual aquele que à pouco viste enterrado,
Que, igualmente, lhe dizem:
"Onde estavas tu quando nos acenderam?"
Agora pare!
Volte-se!
E olhe!
Olhe aquela que te sustenta de tantas maneiras..
Olhe para a grande bola azul à sua frente....
Nessa hora talvez se perguntes:
"Por que Terra?
Por que não Água, se mal vejo o que terra é?"
Mas não deixe de notar...
Ela também fala?
O que ela diz?
"Onde estavas tu quando fui medida?
Onde estavas tu quando fui no nada colocada?
Onde estavas tu quando encheram meus pulmões?"
Onde estavas tu....
Nem sempre silêncio é falta de amor...
Observe tudo à sua volta,
Agora que voltamos da viagem.....
A maior parte está em silêncio profundo e imutável....
Mas fala!
Fala do Amor Daquele que se preocupou em formar tudo de maneira tal....
Que você pudesse viver....
Obrigado pelo prazer da companhia nesta viajem.....
Daniel Bispo - 08/12/2000
Dedicado à minha amiga Delasnieve Daspet
 


música: Enya - Exile


 
 

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