Delasnieve Daspet
De braços abertos
ofereci meu amor.
Minha palavra não é lixo
e será lembrada.
Lembrarás, um dia, quando tudo já for em vão.
Por isso as escrevo...
Se as deixar soltas, espalhadas,
como páginas de um livro rasgado,
estarão perdidas.
Por isso eu afirmo:
Não vou amar de novo!...
Construí um muro, fechei os quatro cantos,
já não quero olhar a estrela que
brilha ao meu lado...
Já não quero lembranças saídas do passado.
Dores marcadas a ferro, tatuadas n´alma,
na pele, com aço.
Não vou lembrar imagens que
sugiram saudades, não vou!
A amargura é colossal,
alta, profunda, larga, dolorida.
Não se pode ignorar, galgar,
transportar, arrancar.
É imensa, como uma nuvem, que tudo tolda.
Já não quero nada que me lembre o amor,
já não quero me lembrar do nascer do sol,
da lua pequenina na colina,
da viola de cordas mortas,
e da voz do poeta canta-dor ...
Mas tu... lembrarás, um dia!
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Delasnieve Daspet
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Um dia
Lembrarei
(Assis)
Seus Braços
Seu amor
Suas idéias vivas
Nada foi em vão
Nem o útero murcho
Escavo em
silêncio
As horas da
ausência
Buscando na
madrugada
A razão da
existência
Sempre vou amar
E estes olhos
terão de aprender
A não chorar
E suportar vê-la
passar
Feito uma estrela
distante
O passado é tudo que tenho
Ao meu lado
Fantasma que
canta
Feito as pedras
rolantes
Num rio cheio
Não deixarei o
céu saber
Do
descontentamento
Da dor do
desprezo
Não temo o
inferno
Pois me reservo a
falar
No dia do
Julgamento final.
Faço poesia
Crio Rebanhos de
palavras
Sou um pastor da
carne.