A solidão da véspera..




Delasnieve Daspet

 

Tardes de Campo Grande.
Véspera de Natal.
Uma roda de tereré.
Uma viola. Um acordeon. Um chamamé.
Uma voz.
Mas todos já se foram.
O que restou?
Só lembranças.
Escritas com fogo em minha memória!

Lembro - quando criança
Lá em Porto Murtinho - no Natal,
quando uma bonequinha
era um presente sem igual!

Recordo a bela mocinha
tímida e sonhadora
que anotava suas saudades
nos cadernos da escola...

A passagem para a mulher
parece que demorou tanto!
E ainda ocorre...

A leveza do ser
foi tudo que busquei
mas encontrei a imortalidade
nos filhos que a vida me deu!

Dois filhos.
Do amor infinito.
Do resgate.
Da vida.
Que já passo adiante
porque é o normal da canção!

Mas os filhos da minh'alma
Os filhos que deposito
no dia a dia da vida
são meus versos
escritos com sangue vermelho da paixão!

Paixão que nasceu comigo
que vivi nas flores,
nas matas,
nos regatos,
nas campinas,
nos pássaros,
na vida que pulsa,
no Pantanal que é pura vida.
Pura água pura!

Na imortalidade que aprendi
ao perceber o vôo da mariposa
e a sua morte no lampião!

Amor que sinto
pelas crianças de rua
em busca da liberdade da vida
perdida a cada segundo!

O que fiz?
Amei meu semelhante!
Amei as pessoas!
Não fiquei na janela.
Os anos passaram.
Ainda caminho.
Escrevo com o sangue da lembrança
meu canto à vida!

E na minha filmoteca mental
os rolos vão passando,
repasso os anos vividos
e sei que não vivi momescamente!
Participei!

Então - porque o vazio?
Este fastio - tão presente em mim?
Será que construí meu sonho?

Esta é a pergunta que cala em mim!
***********************************
delasnieve daspet
05,02 hs de 24 dezembro de 2.000
(manhã que se anuncia quente!)
Campo Grande MS
 









 
 

 

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