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"De quem eu
gosto...nem às paredes confesso..."
Quantas vezes
ouvi... Cantavas e tocavas, para mim... Foi em
1.973.
Anos duros...
repressão...tanques... Mas existiam flores...
Existia Vandré... E pra não dizer que não falei
de flores... Estávamos na flor da idade. Tu um
poeta. Eu a aprendiz. Ambos acadêmicos de
direito. No ar a música. A boemia. A poesia. O
amor. Sonhavamos..
Nada podia
ser mais belo. Mais completo, que estarmos vivos
e nos amarmos?
E de repente,
sem que nada pudesse explicar, o poeta parou....sua
voz calou... não fazia mais serenatas....o
boêmio ...trocou as válvulas do coração....e
nada mais foi igual....
O amor que
florescia belo, como uma rara orquídea cultivada...
Foi abandonado! Não existiam mais os olhares
cúmplices... Tudo tinha ficado num átrio
temporal!... E, em 1.974 recebi - no meu
aniversário - 24 botões de rosa - vermelhas
púrpuras - com um bilhete - (o último! ) - que
dizia:
" D.
Entre nós
estudiosos da ciência paradoxal, que é o Direito,
seria inútil e até ridículas, PALAVRAS!...
Eis que, com
os mesmos adjetivos, substantivos etc... Que
procuramos criar uma límpida poesia, cultivamos
a arte de dissimular e enganar em busca de
objetivo, muitas às vezes, - SOFISMÁTICO!...
Por isso,
numa ânsia frenética, num apelo quase patético,
numa fantasia, talvez, tola de poeta, mando-lhe
essas ROSAS, querendo comunicar no seu mundo
diferente, muita paz e amor - um dia azul,
alegre e contente, pois é um dia bem especial e
"todo seu". - E no aroma puro dessas flores,
cujo perfume é autêntico e nobre, dizer a você,
que na augusta simplicidade das coisas está a
essência do todo, de tudo - "a felicidade ". Com
muito carinho, do GFS. " Setembro de 1.973.
Em seguida
fostes embora. Fostes fazer companhia à voz dos
pássaros no azul do espaço. Deixando apenas a
certeza do reencontro. Um dia.
Hoje - 27
anos após - de novo meu aniversário - Uma vida
passou. Refiz-me. Segui andando. Cumprindo os
desígnios que a mim foram dados. Esperando que
chegue a minha hora .. E, eis que te reencontro!
Na saudade que me atormentou procurei e achei
teu bilhete. Estava lá. Dobrado. Em 10 partes.
Numa caixinha. Mas ainda perfeito.
Passado tanto
tempo. Ainda fazes serestas? Agora deves cantar
junto com o outro boêmio - o Nelson Gonçalves!
Teus lindos poemas...Certamente os escreves...
agora, ao lado e tendo por inspiração o poetinha
Vinicius que tanto amavas!
Fechei os
olhos. Revi as cenas. Caminhos que andamos. O
que falamos. Estás tão vivo em minha mente!
Lindo sorriso de dentes brancos. Olhos castanhos
brilhando.. Teus dedos finos e longos de
violonista, lábios carnudos pedindo beijos! Será
que a brisa que de leve roça meus lábios são
teus beijos?
Primeiro a
surpresa da presença... Em seguida a sentida
ausência! Chorei... Ainda uma vez! E em minhas
mãos, a última coisa que ainda podia enterrar
meu rosto, o que de certo modo me unia a ti!
E na minha
lembrança, vinte sete anos se transformaram em
segundos... E revi, vivi, senti: passado,
presente, futuro... O tudo e o nada que a vida
nos passa!
E no bilhete
reencontrado, na ausência sentida, na presença
presentida... De novo ficamos, frente a frente,
nós dois.... Falavas comigo... Uma última vez!
Sei hoje que
não existe ausência. Que não existe adeus. Neste
hiato... Apenas, um até breve!
Acorrentada
nas amarras desse amor,
Nunca fui
presa rebelde,
Continuo ave
na gaiola..
Me ceguei...Me
entreguei... Não me afastei...
Meu ar, este
que respiro, ainda tem teu cheiro!
E no canto
que te deixo....
Na flor que
te perfuma...
A rosa branca
da saudade!
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delasnieve
daspet - setembro de 2.000
Campo Grande
MS
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