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Delasnieve Daspet
Obrigada por ter voltado a minha vida.
Quis te escrever uma carta para falar melhor
deste momento.
Uma carta de amor, daquelas que fazíamos...
constato, entristecida, que perdi o jeito.
Tenho estado assim, meio cá, meio lá. Acho que
sabes do que falo.
Fico feliz quando te posso ter, e lamento as
horas que perdemos em nosso querer.
Se mudei? Não! não mudei muito. As pessoas não
mudam na essência.
Claro esta que o invólucro se desgastou com o
tempo, mas ainda esconde nos olhos semicerrados
a danadeza de antes.
Nunca fui a mulher fatal dos jogos lúdicos,
aqueles eram personagens que inventava para te
impressionar.
Lembra-te? Houve uma época que o sol nascia e se
punha pela nossa existência. Já fui tua estrela.
Fostes meu sol.
Verdade seja dita, continuo a mesma romântica
que ama o amor!
Os amores hoje já não são iguais. Já não se
cuida de uma conquista. Já não se joga o jogo,
as pessoas já não sabem que amar é escolha!
Já não dão rosas. Não escrevem bilhetes. Os
olhos já não brilham.. Perderam a chave do
coração.
Já não dizem: eu amo! - a nesga de sol fechou-se.
E meu tempo agora é passado, já é hora de seguir
em frente.
Mas chove. Chove forte. Chuva vertical e gelada,
num céu negro de corvos. Vou esperar um pouco.
Aproveito e vou tirando os sapatos, a maquiagem,
escovando os cabelos, uma ducha gelada para
tirar o cansaço, percebo que saímos antes da
relação...
Queria ter tido tempo de dividir contigo os
chinelos, as escovas, a cama, altos e baixo, e
aconchegada em teus braços expulsar todos os
medos que me abraçaram em teu lugar.
Sabe, não quero mais que me aches inatingível,
forte, olhe-me como uma pequena flor carente de
cuidados.
Agora, cá estou, - che añomi, sentada, quase
meia noite, te lembrando...
A visita ao passado me fez bem, recordei-te em
toda tua plenitude.
Delasnieve Daspet
04-02-03 - 23,40hs
Campo Grande MS
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