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Delasnieve Daspet
Em 31 de março passado comemoramos 40
anos do golpe que depôs João Goulart da
presidência da republica e inaugurou um período
que convencionou-se chamar de ANOS DE CHUMBO.
Com Goulart encerrou-se a fase do nacional-populismo. Com os
militares iniciamos o longo período e contexto
da guerra fria internacional.
No plano interno a
instabilidade e a falta de pulso do presidente (estes
fatos lembram outros que estamos vivendo,
presentemente!) - a falta de pulso do então
presidente, acossado pela direita e pela
esquerda, um governo fraco, sem respaldo e
sustentação - acabou deposto, o que veio iniciar
mais um período de autoritarismo em nosso País.
Nuvens negras cobriam nossos céus. Nuvens pesadas.
De chumbo. Eu tinha, na época, 13 para 14 anos.
Oriunda de fazenda. Muito cedo me interessei
pela leitura e pelo Brasil. No mato esse amor é
ainda maior! E cedo, muito cedo, alinhei-me ao
movimento que procurava realinhar, rearticular,
os movimentos sociais. Filiei-me ao MDB. Era o
número 17.
Cerrei fileiras com a história de meu
Estado. Bebi palavras, ensinamentos de amor às
nossas cores, valores de cidadania, respeito ao
meu semelhante com pessoas pelas quais sempre
nutri carinho e respeito: Walter Pereira,
Estácio Eudociak, Nalvo, Juarez Marques Batista,
Plínio Barbosa Martins, Antonio Carlos de
Oliveira, Plínio Rocha, Wilson Barbosa Martins,
e, tantos outros, de cara memória!
E passou-se a buscar novos horizontes. Novas posições.
De partido único, o Brasil passou ao bi-partidarismo.
E assim ficamos até meados de 1.980.
Diretas-Já! Era o brado que mobilizou
o País de Norte a Sul. Do mais recôndito sertão
vinha o pedido: DIRETAS-JÁ!
Quantas histórias guardamos conosco... Mas,
Diretas-Já! não deu certo.
Entre avanços e recuos - conseguimos instalar em nosso
País a mais livre de todas as eleições.
Candidatos de todos os lados. De todas as cores
e partidos.
Cabia-nos a salutar escolha. E, ei-nos quebrando tabus!
Quarenta anos após os ANOS DE CHUMBO a esquerda
chegou ao poder. Derrubamos mitos. Fizemos
história. Somos a história.
A liberdade política instalou-se plenamente no
Brasil, mas a luta pela democracia continua.
Temos de fazer com que ela chegue a população. O
povo brasileiro é quem necessita viver essa
democracia.
Precisamos de paz social, economia estável, crianças na
escola, saúde, segurança compatível; enquanto
essas necessidades não forem preenchidas, ainda
estaremos em débito conosco.
O tema do ACONTECEU LUNA´S aí estava... instei
os amigos, poetas, escritores, frasistas, (de
todas as correntes) - que nos dessem - na sua
visão - o que foi, o que ainda é, esse período.
Confiram os textos, participem deixando sua
opinião no Livro de Visitas, tudo ao som Pra Não
Dizer Que Não Falei de Flores de Geraldo Vandré:
http://www.lunaeamigos.com.br/aconteceu/aconteceu_no_lunas48.htm
Este é o valor da democracia - estarmos reunidos
falando sobre nós, nossa história.
Delasnieve Daspet - Abril 2004
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