|
Delasnieve Daspet
Sob o signo de Aquário -, há 81 anos,
em fevereiro de 1.922, iniciou-se no Brasil um
movimento - que ficou conhecido como a Semana da
Arte Moderna, um brado coletivo de revolta
contra os princípios escravizadores e elitistas
do pensamento, buscavam, jovens escritores
daquela época, uma renovação nas artes e nas
letras deste nosso País. Queria-se - então,
romper com o academicismo europeu vigente,
criando-se novas formas de comunicação,
reverificando-se a inteligência nacional.
Todos sabemos da importância desse movimento,
que solidificou a cultura já existente e ainda
submetidos a uma política colonialista.
Rendemos nossas homenagens a Graça Aranha
idealizador do movimento que constou de
conferências, execuções de peças de Villa Lobos
e declamações de poemas que ridicularizavam o
passado e o Parnasianismo, estilo da classe
dominante.
Foi nessa linha, porém, despretensiosamente, que
um grupo de poetas, todos pertencentes ao Grupo
Luna&Amigos de Poesia, todos escritores do site
http://www.lunaeamigos.com.br , e que tem na
minha pessoa a idealizadora e sonhadora-mor,
criamos A NOSSA SEMANA DE MODERNA POESIA -
chamamos de 1a. TERTÚLIA DO GRUPO LUNA&AMIGOS DE
POESIA, que aconteceu em São Paulo nos dias, 24,
25 e 26 janeiro passado.
Porque TERTÚLIA? - porque seria uma REUNIÃO DE
AMIGOS ou de FAMILIARES, ou ainda de pessoas
afins em torno de um mesmo ideal. Por puro acaso,
diga-se, escolhemos o mesmo signo de aquário,
para nos encontrarmos. Mas isso, certamente, tem
algum significado!
Nos reunimos em 35 escritores e amigos. Fizemos
a nossa abertura com um poema feito
especialmente pelo poeta João Ferreira para o
Evento:
GAIVOTAS
EM TERRA BANDEIRANTE
Jan Muá
19 de janeiro de 2003
Elas são elegantes e tagarelas
Mulheres de coragem
Lutadoras, escritoras e poetas brilhantes
Atraídas pela história da aventura e do
desconhecido
São adventícias brasileiras chegadas a um ponto
comum de destino
Como gaivotas em terra
vivas e inteligentes
Capazes de sobreviver às borrascas e zangas do
mar
Que anulam as tempestades dos céus e os trovões
de Zeus
São gaivotas que resolveram levar o sonho da
poesia
Até às praças jardins e salões da paulicéia
desvairada
Gaivotas dinâmicas mobilizadas de norte a sul
no rumo da capital bandeirante
Atraídas pelos espaços lunares de tantas
seduções
Gaivotas preparadas para inocular no entranhável
bloco urbano
A leveza das penas brancas e prateadas da poesia
Gaivotas simbólicas de segredo que no bico
adunco
mostram a costura da poesia tecida na voz da
mulher
como mensagem de amor e de paz
Gaivotas embaixadoras que sonharam se unir
para deixar na megalópole bandeirante o grito
poético de humanização
representado pelo retorno à percepção da origem
e da necessidade de preservação da natureza e do
homem
Gritando, unidas em congressual voz,
Estas gaivotas poéticas e elegantes sabem
que já estão muito além das gaivotas de D. João
VI
Porque são gaivotas livres
Que conhecem a sutileza da poesia
E sabem levantar vôo independente
E porque aprenderam a mergulhar em lances
precisos
E perigosos
Nas águas piscosas do mar brasileiro
São gaivotas especiais
preservadas pelo sonho e pelos espaços sadios da
Lua
Mulheres reais de muita simbologia
E de muita capacidade!
Jan Muá
19 de janeiro de 2003
_____
Estiveram presentes poetas do Rio Grande do Sul;
Sergipe; Ceará; São Paulo; Minas Gerais; Rio de
Janeiro; Paraná; Santa Catarina; Bahia e Goiás,
Mato Grosso do Sul. Era o Brasil de Norte a Sul,
Leste a Oeste, em torno da Cultura.
Traçamos planos e metas. Lemos nossas poesias e poesia
de amigos. Poesias de nossa época. Vamos lançar
um livro. Tivemos nosso momento musical com
instrumento bem nosso, uma acordeona e a arte de
Vera Lúcia Diniz. Tivemos artistas plásticos de
renome internacional abrindo outras vertentes:
Celito Medeiros, Helena Armond, ganhadora da
bienal de São Paulo.
Embora reverenciemos os poetas maiores, a
realidade, hoje, já não é a de 50 anos atrás. A
hora é de um novo momento e movimento. O
escritor de hoje sai de sua redoma. Não morre de
tuberculose, pode morrer de Aids, ou de stress,
ou até de fome, ao usarmos o assunto do momento.
O escritor de hoje somos nós. Sou eu. És tu! Nós
somos a arte. Somos o homem, somos a vida que
chega e que se faz presente, e a nossa escrita é
a nossa posição frente a Humanidade e ao nosso
País.
Continuam atuais muito dos ideais de Graça
Aranha e de todos os participantes da Semana de
Arte Moderna, mas o que não se percebeu ainda é
que cresce no País excelente material humano em
várias correntes artísticas, e é exatamente isso
que o Grupo Luna&Amigos, com esta quixotesca
figura que te escreve, almeja, DERRUBAR MOINHOS
do ostracismo, da banalidade, anular os que
tentam nos imbecilizar, divulgar quem faz, sair
do círculo vicioso de apenas alguns nomes que
nem sempre representam algo, de pseudo-intelectuais
que nos são empurrados goela abaixo, sem que
possamos regurgitá-los.
Visitem o site e vejam... Lá acharão o que
buscarem, moderno ou antigo, mas CULTURA,
direito inalienável de 170 milhões de
brasileiros e de todo o mundo. Estamos aqui
tentando nos preservar, eis que "se a cultura
for marginalizada, se a arte for descuidada ou
estagnada, põe-se em perigo a própria
sobrevivência da uma civilização..." ( trecho do
discurso proferido pelo Papa João Paulo II,
falando sobre Arte, Cultura e Política ).
Em abril de 2004 - faremos a segunda Tertúlia.
Venha! Sentimos a tua falta. Vem tomar o teu
lugar. Somos nós - fazendo a hora. E ela é
agora. Me perdoem os puristas - a arte não tem
regras, moldes, rimas, é arte - apenas!
Estamos usando e ousando com as letras, com as
tintas, com os sonhos. Estamos chegando, Brasil!
Delasnieve Daspet ( Luna )
Luna&Amigos
http://www.lunaeamigos.com.br
( Pesquisas em texto do amigo Rubênio Marcelo -
da Academia Sul Matogrossense de Letras
- A moderna teia de Aranha )
|